13 Out 08
Se o mundo inteiro observa as consequências da crise, na Região Sul não poderia ser diferente. Por aqui, diversos segmentos industriais deverão sentir os efeitos positivos da desvalorização do real, como o setor de calçados, móveis, fumo, máquinas agrícolas e têxtil/vestuário. Todavia, esses setores aguardam que o dólar se estabilize para que possam fazer seu planejamento.
Caso o câmbio se sustente na faixa de R$ 2,30 por dólar, é possível prever uma retomada nas atividades do setor calçadista do Vale dos Sinos, no Rio Grande do Sul, e em algumas cidades catarinenses. Os reflexos positivos também devem chegar ao setor têxtil e do vestuário de Santa Catarina, que poderá ampliar sua participação no mercado interno graças a uma pressão menor das importações da China.
Contudo, o momento ainda é de grande expectativa: muitos exportadores não conseguem estabelecer preços devido à forte oscilação da moeda americana. Segundo Juliano Vieira de Araújo, vice-presidente da ABIMCI, que reúne a indústria da madeira, ninguém se atreve a fechar negócio apesar do dólar favorável porque os compradores estão exigindo descontos no preço. “Está todo mundo aguardando com medo de fazer um mau negócio”, diz.
Para muitas empresas, a escassez de linhas de crédito para exportação também está atrasando os negócios. “O câmbio está favorável, mas as empresas não conseguem linhas para financiar suas vendas externas”, diz Gilmar Lima, diretor geral da MVC Componentes Plásticos, que tem fábrica em São José dos Pinhais, na região metropolitana de Curitiba. Cerca de 10% da receita da empresa, estimada em R$ 130 milhões em 2008, é proveniente de exportação.
“O problema é que não se sabe se essa crise está no início, no meio ou no fim, nem como será o comportamento do câmbio, o que prejudica o planejamento das empresas”, diz o diretor Gilmar Lima, que vem conversando com clientes sobre reajustes. “Estamos trabalhando com vários cenários. Se o dólar ficar em R$ 2, teríamos repasses de 8% a 10%. Mas hoje ninguém consegue aumentar preços.”
A crise internacional também tem sido acompanhada com apreensão pelo setor calçadista. Embora a alta do dólar seja inicialmente uma boa notícia, a instabilidade faz com que os exportadores aguardem novos fatos antes de terem uma definição do quadro futuro. "O dólar mais valorizado aumenta a competitividade do produto exportado, mas como o processo está ocorrendo de forma violenta ele traz confusão ao mercado, gerando uma paralisação dos negócios", afirma Heitor Klein, diretor-executivo da Abicalçados. Segundo Klein, outro problema do setor são clientes internacionais que tentam obter descontos em negócios já realizados.
Como a última pesquisa de Produção Industrial do IBGE abrange apenas os dados obtidos em agosto, ainda não podemos analisar os efeitos da alta do Dólar, acentuada em setembro e outubro. Nessa pesquisa de agosto, Santa Catarina e Rio Grande do Sul tiveram uma expansão de 0,7% em relação ao mês anterior, um bom resultado se comparado à média nacional (-1,3%).
Por outro lado, a produção industrial do Paraná teve uma das mais significativas quedas do setor no Brasil: a diminuição de atividade foi de 4,8% no estado. O Paraná, juntamente com São Paulo (-1,8%), Minas Gerais (-1,8%) e Rio de Janeiro (-2,7%) são os estados que causam maior impacto no indicador nacional, pois respondem por 65% da produção industrial do país. E assim como o país e o mundo, a Região Sul aguarda o dia de amanhã para avaliar os riscos e oportunidades dessa nova etapa no cenário econômico.
Caso o câmbio se sustente na faixa de R$ 2,30 por dólar, é possível prever uma retomada nas atividades do setor calçadista do Vale dos Sinos, no Rio Grande do Sul, e em algumas cidades catarinenses. Os reflexos positivos também devem chegar ao setor têxtil e do vestuário de Santa Catarina, que poderá ampliar sua participação no mercado interno graças a uma pressão menor das importações da China.
Contudo, o momento ainda é de grande expectativa: muitos exportadores não conseguem estabelecer preços devido à forte oscilação da moeda americana. Segundo Juliano Vieira de Araújo, vice-presidente da ABIMCI, que reúne a indústria da madeira, ninguém se atreve a fechar negócio apesar do dólar favorável porque os compradores estão exigindo descontos no preço. “Está todo mundo aguardando com medo de fazer um mau negócio”, diz.
Para muitas empresas, a escassez de linhas de crédito para exportação também está atrasando os negócios. “O câmbio está favorável, mas as empresas não conseguem linhas para financiar suas vendas externas”, diz Gilmar Lima, diretor geral da MVC Componentes Plásticos, que tem fábrica em São José dos Pinhais, na região metropolitana de Curitiba. Cerca de 10% da receita da empresa, estimada em R$ 130 milhões em 2008, é proveniente de exportação.
“O problema é que não se sabe se essa crise está no início, no meio ou no fim, nem como será o comportamento do câmbio, o que prejudica o planejamento das empresas”, diz o diretor Gilmar Lima, que vem conversando com clientes sobre reajustes. “Estamos trabalhando com vários cenários. Se o dólar ficar em R$ 2, teríamos repasses de 8% a 10%. Mas hoje ninguém consegue aumentar preços.”
A crise internacional também tem sido acompanhada com apreensão pelo setor calçadista. Embora a alta do dólar seja inicialmente uma boa notícia, a instabilidade faz com que os exportadores aguardem novos fatos antes de terem uma definição do quadro futuro. "O dólar mais valorizado aumenta a competitividade do produto exportado, mas como o processo está ocorrendo de forma violenta ele traz confusão ao mercado, gerando uma paralisação dos negócios", afirma Heitor Klein, diretor-executivo da Abicalçados. Segundo Klein, outro problema do setor são clientes internacionais que tentam obter descontos em negócios já realizados.
Como a última pesquisa de Produção Industrial do IBGE abrange apenas os dados obtidos em agosto, ainda não podemos analisar os efeitos da alta do Dólar, acentuada em setembro e outubro. Nessa pesquisa de agosto, Santa Catarina e Rio Grande do Sul tiveram uma expansão de 0,7% em relação ao mês anterior, um bom resultado se comparado à média nacional (-1,3%).
Por outro lado, a produção industrial do Paraná teve uma das mais significativas quedas do setor no Brasil: a diminuição de atividade foi de 4,8% no estado. O Paraná, juntamente com São Paulo (-1,8%), Minas Gerais (-1,8%) e Rio de Janeiro (-2,7%) são os estados que causam maior impacto no indicador nacional, pois respondem por 65% da produção industrial do país. E assim como o país e o mundo, a Região Sul aguarda o dia de amanhã para avaliar os riscos e oportunidades dessa nova etapa no cenário econômico.
cintia
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