O dólar sobe, a expectativa da indústria também.

Se o mundo inteiro observa as consequências da crise, na Região Sul não poderia ser diferente. Por aqui, diversos segmentos industriais deverão sentir os efeitos positivos da desvalorização do real, como o setor de calçados, móveis, fumo, máquinas agrícolas e têxtil/vestuário. Todavia, esses setores aguardam que o dólar se estabilize para que possam fazer seu planejamento.

Caso o câmbio se sustente na faixa de R$ 2,30 por dólar, é possível prever uma retomada nas atividades do setor calçadista do Vale dos Sinos, no Rio Grande do Sul, e em algumas cidades catarinenses. Os reflexos positivos também devem chegar ao setor têxtil e do vestuário de Santa Catarina, que poderá ampliar sua participação no mercado interno graças a uma pressão menor das importações da China.

Contudo, o momento ainda é de grande expectativa: muitos exportadores não conseguem estabelecer preços devido à forte oscilação da moeda americana. Segundo Juliano Vieira de Araújo, vice-presidente da ABIMCI, que reúne a indústria da madeira, ninguém se atreve a fechar negócio apesar do dólar favorável porque os compradores estão exigindo descontos no preço. “Está todo mundo aguardando com medo de fazer um mau negócio”, diz.

Para muitas empresas, a escassez de linhas de crédito para exportação também está atrasando os negócios. “O câmbio está favorável, mas as empresas não conseguem linhas para financiar suas vendas externas”, diz Gilmar Lima, diretor geral da MVC Componentes Plásticos, que tem fábrica em São José dos Pinhais, na região metropolitana de Curitiba. Cerca de 10% da receita da empresa, estimada em R$ 130 milhões em 2008, é proveniente de exportação.

“O problema é que não se sabe se essa crise está no início, no meio ou no fim, nem como será o comportamento do câmbio, o que prejudica o planejamento das empresas”, diz o diretor Gilmar Lima, que vem conversando com clientes sobre reajustes. “Estamos trabalhando com vários cenários. Se o dólar ficar em R$ 2, teríamos repasses de 8% a 10%. Mas hoje ninguém consegue aumentar preços.”

A crise internacional também tem sido acompanhada com apreensão pelo setor calçadista. Embora a alta do dólar seja inicialmente uma boa notícia, a instabilidade faz com que os exportadores aguardem novos fatos antes de terem uma definição do quadro futuro. "O dólar mais valorizado aumenta a competitividade do produto exportado, mas como o processo está ocorrendo de forma violenta ele traz confusão ao mercado, gerando uma paralisação dos negócios", afirma Heitor Klein, diretor-executivo da Abicalçados. Segundo Klein, outro problema do setor são clientes internacionais que tentam obter descontos em negócios já realizados.

Como a última pesquisa de Produção Industrial do IBGE abrange apenas os dados obtidos em agosto, ainda não podemos analisar os efeitos da alta do Dólar, acentuada em setembro e outubro. Nessa pesquisa de agosto, Santa Catarina e Rio Grande do Sul tiveram uma expansão de 0,7% em relação ao mês anterior, um bom resultado se comparado à média nacional (-1,3%).

Por outro lado, a produção industrial do Paraná teve uma das mais significativas quedas do setor no Brasil: a diminuição de atividade foi de 4,8% no estado. O Paraná, juntamente com São Paulo (-1,8%), Minas Gerais (-1,8%) e Rio de Janeiro (-2,7%) são os estados que causam maior impacto no indicador nacional, pois respondem por 65% da produção industrial do país. E assim como o país e o mundo, a Região Sul aguarda o dia de amanhã para avaliar os riscos e oportunidades dessa nova etapa no cenário econômico.
cintia comente

Estados Unidos, só depois de China e Argentina.

A Região Sul está menos vulnerável à turbulência da economia norte-americana. Como? A explicação está na menor dependência do Sul às exportações para os Estados Unidos, segundo informações do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. Enquanto os EUA são os maiores consumidores de produtos brasileiros, na Região Sul eles ocupam o 3º lugar, atrás da China e da Argentina.

No Brasil, dos 130,84 bilhões de dólares exportados de janeiro a agosto de 2008, as vendas para os Estados Unidos representaram 13,94%, seguidas pela Argentina (9,21%) e pela China (9,11%). Os norte-americanos também são os principais compradores na Região Sudeste, com 16,97% das vendas, contra 10,69% dos argentinos e 6,98% dos chineses.

Já no Sul, o panorama é outro. Aqui, as vendas para os EUA totalizaram 8,34%, enquanto a China foi responsável por 9,53% das exportações e a Argentina, por 9,06%, no período de janeiro a agosto de 2008. Nessa mesma época de 2007, as vendas para os norte-americanos eram de 12,06%, quase o dobro da China, que contava então com 6,21%.

Dentro da Região Sul, o Paraná é o estado com menor dependência dos EUA e conta com este país para apenas 4,37% das exportações. O Rio Grande do Sul vem em 2º lugar, com 9,42%, e Santa Catarina conta com os EUA em 13,64% de seus negócios de exportação, contra 18,22% no ano passado. O segundo maior mercado para as vendas catarinenses tem sido a Holanda, com 6,84% de janeiro a agosto desse ano.

Com destinos de venda mais diversificados, a Região Sul depende menos dos norte-americanos em seu comércio externo e tem uma situação mais confortável do que boa parte dos demais estados brasileiros. O resultado é a redução do impacto do mercado americano em recessão. Não são apenas as exportações que definem o futuro da nossa economia, mas nesse momento de incerteza internacional, elas já dão um bom motivo para que muitos sulistas possam respirar aliviados.
cintia comente

O Sul ajuda quem cedo madruga.

Todo sulista sabe que aqui ninguém tem medo de trabalho. Agora, temos até como comprovar nosso empenho. Na última Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD), realizada pelo IBGE em 2007, o Sul se destacou por ter os maiores índices em População Economicamente Ativa (PEA) e em Taxa de Atividade (TA), além de boas colocações no ranking de rendimento médio nominal entre as pessoas ocupadas.

A População Economicamente Ativa, que é formada pelas pessoas que estão trabalhando ou procurando emprego, obteve uma média de 53,72% no país e de 54,94% no Sudeste. Já na Região Sul esse percentual sobe para 58,74%, o que mostra que há um número maior de pessoas no mercado de trabalho em comparação ao restante do Brasil.

Outro índice de destaque, a Taxa de Atividade mede a participação das pessoas que estão efetivamente trabalhando. Enquanto a média brasileira é de 62% e a de São Paulo é de 62,6%, os índices dos três estados do Sul são bem mais expressivos: 65,8% no Paraná, 66,2% no Rio Grande do Sul e 67,2% em Santa Catarina (o mais elevado do país).

Esses indicadores mostram que existe uma proporção maior de força de trabalho na Região Sul, o que gera renda familiar e um maior poder aquisitivo. E o PNAD constatou ainda mais: os estados sulistas também estão no alto do ranking de rendimento médio nominal entre as pessoas ocupadas. Com uma renda média de R$ 1.127, Santa Catarina ocupa o 4º lugar, seguida pelo Paraná em 5º (com uma renda média de R$ 1.087) e pelo Rio Grande do Sul em 7º (com uma renda média de R$ 1.007). Os primeiros lugares pertencem ao Distrito Federal, São Paulo e Rio de Janeiro.

Todos esses índices do PNAD refletem-se em nossos altos níveis de consumo e tornam o mercado atraente para os agentes econômicos dos mais diversos segmentos. Ai fica fácil compreender a vitalidade da economia da Região Sul. Na hora de fazer a economia crescer, todo mundo bota a mão na massa.
cintia comente

PR e RS são finalistas do 3º Prêmio Sócio-Educando.

PR e RS são finalistas …

Descobrir bons exemplos no atendimento a menores infratores. Esse é o objetivo do 3º Prêmio Sócio-Educando, que contempla projetos pioneiros na recuperação de adolescentes e dá valor ao Estatuto da Criança e do Adolescente. Quatro dos 15 finalistas são da Região Sul: dois são do Paraná e dois, do Rio Grande do Sul.

No Paraná, os concorrentes são o município de São José dos Pinhais, com um projeto de liberdade assistida e prestação de serviços à comunidade, e o governo do Paraná, com um novo conceito arquitetônico para a internação de jovens. A foto que ilustra esse texto é do Centro de Sócio-Educação de Laranjeiras do Sul, que faz parte desse novo conceito.

Em São José dos Pinhais, há psicólogos, assistentes sociais e pedagogos que atendem o jovem e sua família, além de integrá-lo ao mercado de trabalho com cursos profissionalizantes. Os resultados são tão bons que o índice de reincidência é de apenas 5%.

Já o governo do Paraná se destacou pela estrutura de suas novas unidades de internação, que contam com igreja, trabalho, escola e outras estruturas que reproduzem os ambientes comuns de sociabilidade. Os jovens não ficam em celas, mas em espaços de convívio que imitam uma casa.

Os concorrentes gaúchos ao Prêmio Sócio-Educando são um estudo de caso da socióloga Rochele Fellini Fachinetto, sobre a unidade de atendimento sócio-educativo feminino do RS, e o município de São Leopoldo, com um projeto de liberdade assistida e prestação de serviços à comunidade.

Além da dar destaque a práticas bem-sucedidas, o Prêmio Sócio-Educando também serve de inspiração para outros profissionais que trabalham com menores infratores. Assim, os programas que incentivam a reabilitação também viram bons exemplos, pois mostram que é possível reintegrar à sociedade adolescentes em conflito com a lei. Dia 30 de outubro é quando acontece a cerimônia de premiação. Ficaremos na torcida pelos sulistas.


Os quatro projetos da Região Sul que concorrem ao prêmio são os seguintes:


PARANÁ

- Serviço de atendimento ao adolescente em cumprimento de medida socioeducativa em meio aberto - Liberdade Assistida e Prestação de Serviços à Comunidade da Prefeitura Municipal, São José dos Pinhais – Categoria "Execução de medidas em meio aberto".

- Medida Socioeducativa de Internação em um novo Conceito Arquitetônico da Secretaria de Estado da Criança e da Juventude – Categoria "Execução de medidas em meio fechado".


RIO GRANDE DO SUL

- Redescobrindo a Cidadania (liberdade assistida) e Refazendo Caminhos (prestação de serviços à comunidade) da Secretaria de Assistência Cidadania e Inclusão Social da Prefeitura Municipal, São Leopoldo – Categoria "Municipalização do atendimento socioeducativo".

- A "casa de bonecas": um estudo de caso sobre a unidade de atendimento sócio-educativo feminino do RS, Rochele Fellini Fachinetto, dissertação de mestrado da UFRGS – Categoria "Produção de Conhecimento".

Para ver a relação completa, clique aqui.

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20 de Setembro: o 7 de Setembro do RS.

20 de Setembro: o 7 de … Amanhã é 20 de setembro, um sábado como outro qualquer para boa parte do país. O que não é o caso dos que vivem abaixo da fronteira do Rio Uruguai: nesse dia se comemora 173 anos da Revolução Farroupilha, a revolta gaúcha pelo excesso de impostos na fronteira e pelo descaso do governo imperial do Brasil.

No Rio Grande do Sul, a Revolução Farroupilha deixou marcas profundas na cultura da população. Um exemplo claro disso é a letra do Hino Rio-Grandense, que canta o Vinte de Setembro como precursor da liberdade. A propósito, você por acaso sabe cantar o hino do seu estado? No RS, boa parte sabe. No Youtube há diversos vídeos de jogos do Grêmio e do Internacional onde a torcida canta orgulhosamente seu belo hino.   

"Orgulho", por sinal, é uma palavra que faz parte do vocabulário gaúcho. Por isso, não é de se surpreender que o dia 20 de setembro seja muito mais esperado e celebrado do que o 7 de setembro, com direito a desfile temático e participação de milhares de cavalarianos.

O desfile desse ano, que tem como tema “Nossos símbolos: nosso orgulho!”, trará 13 símbolos oficiais e afetivos do Rio Grande do Sul: a bandeira, o hino, o brasão, a chama crioula, a erva-mate, a ave quero-quero, a flor brinco-de-princesa, a planta medicinal macela, o chimarrão, o monumento ao laçador, o galpão crioulo, o cavalo crioulo e o carro do Movimento Tradicionalista Gaúcho. Cada invernada terá até 70 pessoas e 30 cavalos. Flores brinco-de-princesa serão distribuídas e o público também aproveitará um grande churrasco, preparado durante o percurso.

Em homenagem à paixão dos gaúchos por suas origens, segue abaixo a letra do hino e um vídeo com cenas dos símbolos desse povo.


HINO RIO-GRANDENSE

Como a aurora precursora
do farol da divindade,
foi o Vinte de Setembro
o precursor da liberdade.

Estribilho:
Mostremos valor, constância,
nesta ímpia e injusta guerra.
Sirvam nossas façanhas
de modelo a toda terra.
De modelo a toda terra.
Sirvam nossas façanhas
de modelo a toda terra.


Mas não basta p'ra ser livre
ser forte, aguerrido e bravo.
Povo que não tem virtude
acaba por ser escravo.
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Óinc óinc: a economia cresce.

Para quem adora carne de porco, Santa Catarina é literalmente um prato cheio. Segundo o IBGE, Santa Catarina é responsável por 20,4% da produção nacional, com empresas que se concentram na região oeste do estado. Quem mora nessa região sabe a importância da suinocultura para a economia, especialmente após o baque do embargo russo há poucos anos atrás.

Como muitos devem recordar, a Rússia anunciou o embargo à carne brasileira no final de 2005, devido a focos de febre aftosa no Paraná e no Mato Grosso do Sul. Após um período de prejuízo e grande dificuldade, os produtores começaram a diversificar seus mercados, aumentar a fiscalização nos frigoríficos e, aos poucos, foram reerguendo o setor.  

Agora os suinocultores têm muito a comemorar. Em julho desse ano, os preços do suíno vivo bateram recordes: em Chapecó, o quilo do suíno vivo chegou a R$ 2,79 para o produtor integrado à agroindústria e R$ 2,90 ao produtor independente. Para ter uma idéia, o preço pago em julho de 2006 ao produtor integrado era de R$ 1,28 e o preço pago ao produtor independente estava em R$ 1,20.

Os tempos de porcas magras acabaram não apenas pelo fim do embargo russo, mas também por outros fatores, como a abertura de novos mercados para Santa Catarina, os focos de febre aftosa sob controle e o aumento da renda das famílias brasileiras. E não é só o bolso do produtor que anda engordando mais rápido.

Esse ano começou a ser implantado o sistema Wean to Finish, em que os filhotes ganham peso, aumentam a sanidade e diminuem o custo com medicamentos de um jeito bem natural: amamentação prolongada. Ao invés do desmame acontecer no 21º dia de vida, quando o leitãozinho pesa 6,5 kg, agora ele mama até o 28º dia e chega a um peso médio de 8,5 kg. O resultado é que enquanto antes os suínos chegavam aos 120 quilos em 186 dias de idade, agora atingem o mesmo peso em apenas 163 dias.

Esse sistema foi implantado de forma pioneira no Brasil pela Coperio, a Cooperativa Rio do Peixe. Há também muitas outras novidades com relação a qualidade na produção, sustentabilidade, bem-estar animal e biossegurança. Quem diz que a vida no campo é sempre igual precisa dar uma voltinha pelo oeste catarinense.
cintia comente
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